O Irã completou 83 dias consecutivos de bloqueio quase total da internet internacional, o maior apagão digital já registrado em um país com alta conectividade. A medida começou após ataques de Israel e Estados Unidos em fevereiro e intensificou o isolamento da população, que enfrenta também uma repressão política crescente.
A justificativa oficial é a segurança nacional, alegando que forças estrangeiras usavam redes sociais e rastreamento de celulares para localizar líderes militares iranianos. Mesmo antes da escalada, plataformas como Instagram e WhatsApp já eram parcialmente bloqueadas, e o acesso dependia do uso de VPNs caras, que hoje custam entre US$ 5 e US$ 10 por mês — um valor alto para o salário mínimo local, cerca de US$ 70.
Sem VPN, os iranianos ficam restritos à “internet nacional”, um ambiente controlado pelo governo com acesso limitado a plataformas autorizadas. Essa restrição prejudica especialmente pequenos empresários, profissionais autônomos e professores que dependem da internet para trabalho e renda. O governo criou um programa pago e com filtro estatal para liberar acesso a alguns empresários, mas o acesso continua restrito para a maioria.
O controle digital acompanha a repressão política no país, com milhares presos e dezenas executados desde fevereiro. Jornalistas e opositores também são alvo, como o repórter japonês Shinnosuke Kawashima, detido após cobrir protestos. O cenário reforça um isolamento crescente do Irã, comparado a sistemas rígidos de vigilância digital como o da China.
Com informações do Agora RN.
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